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O Alegria
in Tempoesia. (p.19-22) Litteris Editora, RJ, 2010.
O Alegria
O que é que vocês fizeram?
Estão matando o Alegria!
Logo eu?
Eu gosto tanto de sorrir...
Adoro brincar com você!
Você não gosta mais de mim?
Por que?
Por que vocês me fazem sofrer?
Vocês não gostam do Alegria?
Querem que eu saia daqui?
Ninguém mais aqui quer Alegria?
Ah, eu sei que não é assim...
Eu sinto!
Eu sei que ainda tem
um pouquinho de mim por aí!
Lembra daquele jeito de criança?
(de olhar pedindo)
Aquele sorriso tão grande
pulando corda,
jogando bola,
ter um montão de amigos.
Eu sei que isso não acabou!
Eu sei;
Às vezes parece que o amor está quase acabando.
A gente pensa que não tem mais jeito.
É tanta gente triste,
de cabeça baixa,
te olhando feio...
Às vezes você tem a impressão de que tudo
sempre foi assim,
não é?
Vem aquela sensação de que
"não adianta tentar,
tudo vai conyinuar ruim".
Não deixe isso acontecer com a gente!
Gente, tudo muda!
Só depende da gente!
Olha, eu conheço uma pessoa;
ela é muito amiga do Alegria!
O nome dela é Esperança;
ela está sempre junto de mim.
E, não venham me dizer que não!
Eu sei que vocês a conhecem!
Nós estamos sempre juntos:
A Esperança e O Alegria!
Acreditem nela
e, não se esqueçam de mim...
Tempoesia
Este poema foi publicado no livro Tempoesia, Rio de Janeiro: Litteris Editora, 2010
Tempoesia
Tempo
Falta tempo
Faço tanto, que
Me falta tempo
Falta para tudo
Para trabalhar
Corro
Corro
Corro atrás
Atrás do tempo
Do tempo perdido
Perdido
Perdido, vago
Vago, corro
Sem tempo
Esse tempo
Que falta
Falta para tudo
Para caminhar
Até para caminhar...
Só corro
Socorro!
Falta muito tempo
Até para escrever
Não tenho tempo
Hesito um pouco
Nem escrevo tanto
Ainda que escreva
Prosa e verso
Muitos versos
Mais que prosa
Prosa demora
E...
E...
E falta tempo
Até estes versos
Que você lê
Que você ouve
Que você vê
Correndo
Porque falta tempo
Escrevi-os eu
Correndo
Porque falta tempo
Os versos, muitos
Mas palavras poucas
Muito poucas, corridas
Não mais que
Três por linha
Não é preguiça
Não, não é
Falta é tempo
Falta tempo?
Ou falta verso?
Falta poesia!
Quem sabe
A poesia
Me faça ver
E faça você
Que lê correndo
Ver que poesia
Sempre nos dá
Um pouco mais de tempo...
Este poema foi publicado no livro Tempoesia, Rio de Janeiro: Litteris Editora, 2010
Suruba!
Suruba!
Eu tô falando é de prazer
Ninguém goza a vida sozinho;
Não dá pra masturbar o mundo...
Felicidade?
Não estou falando de felicidade,
idealizar mundo perfeito;
senhoras e senhores
desse ou daquele jeito.
Eu tô falando é de prazer,
Ouça bem:
Eu quero GOZAR a vida!
E preciso de parceiros.
Quem se habilita?
Sozinho não!
Já tentei e é muito chato.
Eu preciso da Vida passando a mão em mim;
eu preciso sentir o mundo,
olhar nos olhos,
fechar os olhos,
revirar os olhos...
Eu preciso do Tempo me mordendo a carne;
preciso do Tempo me comendo,
preciso de TUDO!
entrando fundo,
até o fim;
eu quero assim!
Eu quero acabar!
até sentir a vida escorrer
suando no rosto...
Assim mesmo!
Suruba:
eu, o Mundo, a Vida e o Tempo,
quem mais vem?
Pode vir atrás de mim,
todo mundo, eu aguento!
Assim mesmo,
suruba,
eu
o Mundo
a Vida
e o Tempo...
Ninguém goza a vida sozinho!
Este poema foi publicado no livro Tempoesia, Rio de Janeiro: Litteris Editora, 2010
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