Re-visão de mundo 04: olhos - de ver e de crer

COM OS OLHOS DA FÉ



Coitado!
pensando bem,
começo a ter pena de um grande amigo;
o condenado passou a vida cuidando
para estar sempre perto de seus negócios;
na esperança de vê-los bem,
nunca teve tempo para o ócio.

Culpa de seu pai!
homem sério e muito ocupado,
desde outros tempos,
quando este meu-grande-amigo-filho-de-seu-pai perguntava:
"por que não deixa a loja sob os olhos de um empregado?
vamos para casa, pai, todo o mundo já se foi...",
o velho sempre dizia:
"filho, filho, ouça bem meu filho:
é o olho do dono que engorda o boi."

Fosse ele cria dos meus,
o coitado talvez vivesse mais tranquilo.
Não digo que a vida seria melhor,
mas por aqui parece que a sabedoria popular
chegou dando ponto sem nó;

chegou meio torta...

Por aqui,
para cuidar que tudo corra bem,
é uma semente de mucuna
dentro d'um copo perto da porta
e basta!
para que os negócios não façam papai perder o sono.
Aqui em casa,
"é o olho-de-boi que engorda o dono."




Um poema de Marcelo Aceti



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