::Cartas de despedida:: 01

Sinto como se tudo o que existe simplesmente não importasse, e vejo diante de mim toda a falsa alegria que o eterno sorriso de uma fotografia pode conter. Busco em meus pensamentos uma coisa ou outra que tire de mim todo este vazio; tolice! escrevo estas palavras e percebo que não há nada que me salve do inferno das minhas angústias, pois: como existir algo dentro de mim que me cure de mim mesmo? e mais, como eu posso querer 'tirar' algo do vazio que sinto?
Minto, como se tudo o que existe dentro de mim simplesmente não importasse, e guardo tudo o que sou no pouco que ainda resta de mim que ainda consegue se conter. Busco outros pensamentos, uma coisa ou outra para fazer que não me faça notar meu vazio; tolice! escrevo estas palavras e percebo que não há nada que me salve do inferno das minhas angústias, pois: como existir algo fora de mim que me cure de mim mesmo? e mais, como eu posso querer ocultar de mim aquilo que minto?
Já não sinto nada de meu existindo dentro de mim. Percebi que não minto; não minto sobre mais nada, pois nada há mais a ser dito. Meus olhos passeiam pelas fotografias, tocam os sorrisos desatentos, alcançam sublimes saltos sob o sol, sentem o sal das águas que tocam os pés cheios de areia, e meus olhos vasculham a areia, grão a grão. . . . . . . . . . . Viajo dentro de mim buscando momentos que valham a pena de viver, que façam a própria vida valer... Percebo que tudo - até a própria vida - é Esperança; o sol, as águas, o sal das águas, a areia, cada grão... mas, viajei dentro de mim em um último afã da Esperança em querer-me com ela, mas ela talvez não tenha percebido que, dentro de mim, ainda há aquele vazio e foi somente o que encontrei.

p.s.: escrevo estas palavras e percebo que não há nada que me salve do inferno das minhas angústias, pois: como existir algo que me cure de mim mesmo?

2 comentários:

Unknown disse...

belo texto, Marcelinho! \o/

Mary disse...

"... como existir algo fora de mim que me cure de mim mesmo? "

Genial!